Quanto mais concorrĂȘncia melhor
- Bruno Pinto Padilha
- 23 de set. de 2016
- 3 min de leitura

Quando se vai buscar uma vaga de emprego, atĂ© mesmo uma oportunidade na faculdade, prestar concurso ou vestibular, pensa-se sempre na "concorrĂȘncia". Individual e coletivamente, em aspectos profissionais, acadĂȘmicos ou pessoais, sempre haverĂĄ um nĂvel de concorrĂȘncia que tende a ser proporcional Ă dificuldade para atingir o objetivo final. Como disse Rafael Greca, "tendĂȘncia nĂŁo Ă© destino". HĂĄ lero-leros de autoajuda motivacional que dizem para nĂŁo se importar com a concorrĂȘncia e sim consigo prĂłprio. Em partes, o conceito pode ser aplicado, mas mesmo se vocĂȘ for muito bom e fizer o melhor possĂvel, ainda assim poderĂŁo os outros serem tĂŁo bons quanto ou melhores.
A grande questĂŁo nĂŁo Ă© a concorrĂȘncia em si, mas sim uma questĂŁo cultural que parece estar impregnada no atual senso comum brasileiro: a tara por monopĂłlios. Sim, mesmo que nĂŁo percebamos, muitas vezes queremos monopĂłlios (que nos favoreçam, Ă© Ăłbvio) e tambĂ©m permitimos que outros monopĂłlios se consagrem, por questĂŁo de ser mais confortĂĄvel, pra nĂŁo arrumar briga, porque "alguns assuntos nĂŁo se discutem", porque "todos sĂŁo iguais" (entĂŁo trocar nĂŁo faz diferença), etc. Exemplo simples: televisĂŁo ligada sempre no mesmo canal.
Muitas pessoas, quando exercem uma função, nĂŁo querem ter concorrĂȘncia. O mesmo vale para empresas. NĂŁo Ă© apenas vida profissional, mas vida pessoal. Tenta-se boicotar a concorrĂȘncia e se fala atĂ© em "concorrĂȘncia desleal" ou "predatĂłria". Ora, o que seria uma concorrĂȘncia desleal: alguĂ©m que faz o mesmo que vocĂȘ, mas melhor e/ou por um preço mais baixo?
Quando vocĂȘ precisa de algo, Ă© natural que vocĂȘ tambĂ©m queira o melhor custo benefĂcio. Logo, Ă© justo que vocĂȘ tambĂ©m tente oferecer o melhor benefĂcio pelo menor custo. Na vida pessoal, nĂŁo hĂĄ necessariamente um custo financeiro, mas hĂĄ esforços fĂsicos e emocionais que vocĂȘ poupar as outras pessoas e ajudĂĄ-las. Dessa forma, ela preferirĂĄ vocĂȘ do que aquela pessoa que cobra favores, faz de mĂĄ vontade e ainda "esfrega na cara" que fez algo como se ela fosse a Ășnica pessoa capaz de fazer aquilo no mundo (monopĂłlio) ou que "Ă© chata" resumidamente.
Querendo ou nĂŁo, hĂĄ uma interligação entre as pessoas e todos dependem uns dos outros em algum momento, direta ou indiretamente. Dessa forma, pra quĂȘ dificultar as coisas? A relação de oferta e demanda por qualquer coisa sob a face da Terra pode ser suprida naturalmente, com cada um fazendo o que sabe fazer melhor e tambĂ©m buscando o melhor possĂvel para si. Assim, quanto maior concorrĂȘncia, melhor para todos. Quem oferece algo, obriga-se a fazer cada vez melhor â e quem procura, tem cada vez melhores opçÔes.
"ApĂłs a rĂĄpida postagem que fiz sobre o caso do veterinĂĄrio impedido de trabalhar de graça (...) Quando se fala em concorrĂȘncia predatĂłria entĂŁo (...) ISSO NĂO EXISTE. (...) A grande maioria das pessoas quer ganhar dinheiro e ter certa estabilidade, elas nĂŁo querem ter que lutar pro resto da vida melhorando processos e produtos. As pessoas se acomodam e sinceramente nĂŁo acho isso 100% errado. AĂ vem um concorrente melhor e a tira do negĂłcio. A culpa foi do concorrente? (...) Nos Estados Unidos dos anos 50 o varejo era dominado por lojas de variedades do tipo preço Ășnico (...) Um jovem empreendedor chamado Sam Walton comprou uma dessas lojas, uma franquia, e começou a fazer coisas malucas como cortar preços pela metade, comprar toneladas de produtos e oferecĂȘ-los a preços pouco superiores ao custo. A loja de Sam se tornou um sucesso e a figura dele bem quista na pequena cidade do oeste americano, os outros comerciantes nĂŁo gostaram nada daquilo e deram um jeito de expulsĂĄ-lo da cidade. Ele quebrou? NĂŁo, muito pelo contrĂĄrio (...) O Wal Mart foi talvez o primeiro grande "concorrente desleal" que se tem notĂcia (...)"
Recomenda-se a leitura na Ăntegra de "O mito da concorrĂȘncia", disponĂvel em: <http://coreyinvestidor.blogspot.com.br/2016/02/o-mito-da-concorrencia.html>, acesso em 7 de setembro de 2016

Bruno Pinto Padilha
Pedagogia - Opet
