Milton, o pai da logo celuense


Nosso entrevistado de hoje é um ex-morador, um dos pioneiros da CELU, o senhor Milton Ahrens. Antes da CELU, ele já vivia na casa que ficava na Inácio Lustosa, e foi o ele quem criou a primeira versão da logo da CELU. É isso mesmo, Milton?

Criei o logo da CELU, exatamente. Eu participei da construção, junto com o pastor. Toda aquela verificação que se fazia da obra até que ela foi inaugurada. Eu tive o prazer de ser o primeiro a escolher o quarto. Não me lembro bem, mas acho que era o 312. Isso porque o último quarto era para três moradores. Ai escolhi o penúltimo, que era para dois, pra ficar junto com meu irmão.

E qual curso que o senhor fazia, naquela época?

Naquela época eu fazia Belas Artes. Eu me formei em Belas Artes, casei e depois fiz licenciatura em desenho. Depois lecionei onze anos, aí fiz concurso na justiça, mudei totalmente, e hoje sou aposentado da justiça do trabalho.

Bacana, que trajetória! Então esse seu lado artístico te possibilitou para que te escolhessem pra fazer a logo então.

O pastor me pediu de manhã e, até depois do almoço eu tinha feito. Porque tinha a chamada na TV da inauguração. Então foi um negócio assim ultrarrápido e que saiu esse logo vermelho e preto com as letras da Casa do Estudante Luterano Universitário.

Quais eram as histórias engraçadas da época que o senhor morou na Celu.

Xadrez no vizinho, na frente lá, ouvindo os urros do leão lá do Passeio Público. Mas tem pouca coisa.

Conta um pouco mais para nós sobre o tempo em que a CELU foi construída. Como foi todo esse lance com o Pastor Richard e tudo o mais, o projeto a construção.

O projeto, a construção. Foi uma coisa que ainda demorou, nós não acreditávamos que ia sair e, no fim, nós tivemos a satisfação de ter a casa nova lá.

Quando entrou já estavam construindo a Casa?

Estava no início da construção. Acho que deve ter levado uns três anos, acredito eu.

E, naquela época o Pastor Richard morava naquela casa com o senhor e os outros?

Não, o Richard Wangen, é isso? Ele morava lá na Avenida Nossa Senhora da Luz!

Foi ele que idealizou todo o projeto e correu atrás e acompanhou toda a construção e tudo. Como era o contato que ele tinha com vocês?

Eu lembro que fim de semana, por exemplo, ele sempre convidava um grupo de estudantes pra jantar na casa dele. E a esposa dele era americana, fazia aquela comida doce com salgado e o pessoal não gostava. Mas eu sim, então eu ia lá. Ele levava sempre umas três ou quatro pessoas e eu sempre estava junto. Então a gente tinha bastante relacionamento. Uma vez nós fizemos uma excursão pra Voçoroca, junto com ele, fomos com a Kombi da comunidade. Ai fomos pra ilha, na parte interna. O pessoal que foi tudo nadava, eu era o único que não nadava. ‘Não, não tem problema, eu te levo’, e eu, com medo, ‘não, pode ficar tranquilo, eu passei a guerra nos Estados Unidos, no Vietnam’, não sei aonde que ele lutou durante a guerra. Ai ele me agarrou e levou a gente pra ilha, a gente foi e voltou.

Como que era a relação da CELU com a CEU, tinha um pouco de rivalidade ou era só amizade?

Não tinha rivalidade. Eu tinha muitos amigos que moravam na CEU. Eu almoçava na CEU, atravessava o passeio para almoçar.

E, como era ter seu irmão como véia?

Meu irmão era CDF. Ele reclamava muito em casa com meus pais. “É, tão ouvindo música, e comprou televisão. Tem televisão! E, tão jogando baralho, e ficam jogando até de madrugada”, dizia ele. “Eu não posso dormir!”. Então ele vivia reclamando. Isso na casa velha. Na nova, quando nós fomo pra CELU, mudou. Mas o que eu sinto é que na casa velha o pessoal era muito mais unido, a casa nova ela separou o pessoal.

Aí quando queria jogar baralho se reunia no quarto de um, de outro?

Normalmente tinha o salão no segundo andar ali, não sei se ainda funciona.

Sim, sim a sala de TV....

...Daí nós jogávamos ali. Mas aqueles campeonatos de pôquer, praticamente acabaram. Eu jogava muito o xadrez. Porque o meu vizinho de quarto da casa velha jogava, aí nós se reunia e fazia campeonato de xadrez.

Tinha alguma festa ou comemoração que faziam?

Tinha, tinha. E por sinal eu fui o primeiro Diretor de Social da Casa. Eu já fazia a parte social da casa velha, que nós fazíamos os bailinho no Martines, no salão do colégio. Ai na casa nova nós nos organizamos e começamos a tocar nossos bailes ali. Mas no começo nós não tínhamos som, meu pai era marceneiro, fez duas caixa acústicas com madeira, tela, e alto falante pro meu som. E, no fim esse som acabou ficando na Casa.

Tinha gente que desobedecia as regras no começo?

Na casa velha sim, mas na nova não, o pessoal estava mais separado.

Como que a CELU interferiu na sua vida?

Até hoje eu comento com o pessoal que eu sinto saudades daquela época. Talvez mais da casa Velha onde agente era mais unido, mas também da casa nova. É uma época assim... Que fica pro resto da vida.

E o senhor, antes de morar na casa, morava onde?

Morei num apartamento, com um casal, num quarto alugado na Rua XV esquina com a Barão do Rio Branco. Quando meu pai me trouxe pra cá, tinha um aluga-se quarto e tal. Tinha o casal, ele era dentista, ele estava alugando pra três pessoas: um quarto pra duas pessoas e outro pra uma pessoa só, mas que seria pra morar no mesmo quarto que o filho dele. Então eu peguei o quarto junto com o filho dele. Tinha uma sacada que ficava no quinto andar e dava pro terceiro andar do Clube Curitibano. Então era gostoso, porque a gente ficava ali ouvindo os bailes. No quarto vizinho ao meu, dois irmãos, lá da minha cidade de rio negro, vieram pra cá e pegaram o quarto. Então nós ficamos em três conhecidos ali. Mas tinha um conhecido lá de Rio Negro que morava na casa velha, que é dentista hoje, mas acho que ele não chegou a morar na casa nova porque se formou antes. Daí a gente se encontrou e ele perguntou: ‘Pô, porque você não vai morar lá na casa do estudante’; aí falei pro meu pai: ‘Ó pai, vô sai do apartamento vou morar lá na casa do estudante'; daí eu fui pra lá.

Como foi que o senhor resolveu sair de sua cidade e vir para Curitiba estudar na “Belas”?

Resolvi fazer vestibular pra arquitetura. Aí o professor do cursinho que falou: ‘O pessoal, vocês vão fazer... não arrisquem só arquitetura.’; porque naquela época eram 20 vagas de arquitetura e tinha 300, 400 candidatos. A prévia eliminava todos menos quarenta, e esses quarenta iam fazer a segunda etapa, dos quais selecionava-se vinte. Então arquitetura naquela época era mais difícil que Medicina, pelo número de candidatos. Então eu fiz o científico em Rio Negro, vim pra cá e fiz vestibular, não passei, fiz cursinho, em junho teve um vestibular extra de arquitetura, eu peguei e fiz e não passei. Continuei o cursinho aí no final do ano esse professor orientou: ‘Olha, faz vestibular de arquitetura, mas façam Belas Artes, pois tem várias carreiras; tem pintura, escritura e inclusive preparação pra licenciatura em desenho e você pode ser professor’. Aí eu fiz os dois. Nesse último vestibular em arquitetura eu passei na prévia, eu fiquei entre os quarenta, mas aí levei bomba nos quarenta, dos quarenta eu não passei. Passei em uma boa classificação em Belas Artes, aí fiz Belas Artes. Terminei Belas Artes, casei, aí fiz licenciatura. Peguei licenciatura na federal, a Belas Artes é uma faculdade estadual que é um problema até hoje. Mas enfim, fiquei lecionando, lecionei onze anos. Daí entrei na Justiça do trabalho e lá eu me aposentei.

Por que o senhor resolveu mudar de carreira?

Pois é, tinha muitos colegas do tempo de ginásio assim fazendo Direito né, e eu nunca me interessei por direito. Aí depois que eu entrei na justiça que eu pensei ‘Pô porque que eu não fiz direito’. Minha sogra insistiu muito pra mim fazer direito. Mesmo depois de casado e tudo. Depois que eu entrei na justiça. Mas ai eu digo não, eu já estou encaminhado... Só se eu for fazer concurso pra Juiz. Galguei todas as carreiras dentro da Justiça, não ia me servir para nada dentro. A não ser que fizesse concurso pra Juiz, mas aí não me interessei, então…

Mas a parte artística, a parte do desenho, o senhor manteve durante os anos ou largou completamente?

Não, porque eu passei pra desenho, eu dei aula no SENAI, eu dei aula no Rui Barbosa pra cursinho.

E era desenho artístico ou desenho técnico?

Desenho técnico. Dei aula de desenho artístico pra primário, pra primeiro grau, mas dei aula no SENAI, desenho técnico, dei aula pra cursinho, técnica. Eu fiz apostila tudo em cursinho pra escola técnica. Meus alunos que passavam pelo cursinho passavam pela minha mão. Todos eles passavam pela escola técnica, por que diziam: ‘Pô, professor, eu me admiro que tudo que cai no vestibular estava na sua apostila.’ Mas claro, eu não fiz a apostila baseado no curso de desenho, eu fiz pro vestibular de escola técnica. Foi preparado exatamente pra isso. Então meus alunos de ginásio tiravam notas excelentes em desenho.

Bacana! Eu gostaria de agradecer ao senhor, Milton, por essa entrevista, por contar um pouco pra gente, um pouco mais sobre a história da CELU. E, para terminar eu gostaria que o senhor deixasse uma mensagem para os atuais Moradores da CELU.

Valorizem a CELU, porque vale a pena. Valeu a pena pra mim, valeu a pena para os meus colegas e foi um período muito bom da minha vida. Curto, mas muito bom. Milton Ahrens (Ex-Morador)

Miguel Afonso Beckers

Design Digital - PUCPR

Lucas Araújo Politano

Design - UFPR

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