• João Paulo Pintanelli

Ethos e a ortopraxia


Acontece muita coisa nos bastidores para que tudo Desde a antiguidade, nossa sociedade se baseia em crenças e ideologias. Sejam corretas ou não, elas fazem parte de nosso cotidiano. Nada de novo, não é mesmo? Certamente você não parou para pensar em alguns equívocos cometidos nessa afirmação.

Um pragmatismo que vem tomando conta da sociedade contemporânea é o julgamento preliminar de uma ideologia própria, ou seja, algo que para mim é o correto, tem de ser o correto para todos. Isso ocorre, também, devido ao mau uso da interdisciplinaridade e/ou da multidisciplinaridade. Onde, faculdades mentais e espirituais não conseguem se unir ou concordar entre si, ocasionado pelo estresse e pela infelicidade humana.

Veja bem, desde a Grécia Antiga, “Ethos” já é muito usado, e hoje, é muito discutido. Sendo que, essa ética comportamental, que define como o ser humano tem de ser e de se comportar no meio social, conforme sua cultura, por várias vezes “extrapola”. A ética não deve ser jamais confundida com opinião ou “achismo”, ela deve ser gerada segundo um senso comum, e deve ser alterada conforme o comportamento cultural de uma sociedade. Por várias vezes, ouvimos pessoas discordando e murmurando de comportamento de outras sociedades. Até então o problema é pequeno, mas torna-se maior, quando nos denominamos ser um povo democrático, e “abrimos as portas” de nosso país para outras culturas, em contradição, rejeitamos e excluímos pessoas que não são socialmente como nós; ou seja, nossa ética está extasiada no tempo, vivendo apenas de falácias, sendo um “exagero” da ortopraxia na sociedade brasileira.

Mas o que é a ortopraxia em si? Resumindo, é a prática correta, ou seja, é quando eu tenho uma crença que vai além de uma ideia, e isso torna-se o correto para mim, e assim eu o realizo. Sendo muito comum no meio religioso e no meio político, levando milhares de pessoas a transformarem suas vidas conforme convicções e conclusões práticas da vida de alguém, referente a qualquer assunto. O problema, é que nem todos são iguais, nem todos pensam da mesma maneira, nem todos veem o mundo do mesmo modo, não há como incumbir, um modo de pensar próprio a outras pessoas.

Nesse momento, me preocuparei em relacionar a ortopraxia e a ética com o campo religioso, por ser um dos maiores motivos de debates e discussões. Certamente, você já ouviu algum religioso dizer que isso ou aquilo é errado, e usar inúmeros conceitos e pensamentos para defender sua tese. Ao final de seus discursos sempre cometem exageros, que muitas vezes levam pessoas a negarem ou desistirem de uma fé.

Não há lógica em obrigar ou induzir uma pessoa a certa crença da qual ela não experimentou jamais, pois uma prática apenas será correta para mim, se eu a praticar de fato, e entendê-la como o melhor. Não adianta apresentar uma teoria a alguém que não têm um mesmo estilo de vida e/ou não se baseia no mesmo pensamento, podendo apenas assim ser feito, se eu provar que é válido a todos, e não apenas a mim; sem confundir costumes próprios e herdeiros trazidos por familiares ou pessoas próximas, mas que não contêm fundamentos e nem mesmo conhecimento.

Num país tão diversificado como o nosso, é necessário que se entenda o conceito de moral, ou seja, um conjunto de costumes/normas. Em paráfrase, é como se nosso país fosse um corpo formado por várias sociedades, não sendo única. Logo, ao definir cada sociedade, preciso definir também seus costumes e seus comportamentos, mas por estarem reunidas, preciso partir do princípio psico-cristão que afirma que a proximidade cultural e comportamental aos poucos se torna única. Sendo que, com o passar do tempo e da convivência mútua entre várias pessoas, tudo se torna normal.

Precisamos compreender que as pessoas necessitam constantemente de algo para as guiar, que as dê motivos para continuar suas trajetórias, que as faça ter ânimo. Apresentar uma crença ou uma ideologia a alguém pode ser benéfico, se ela assim o necessitar no momento, podendo dar continuidade caso queira. Mas obrigar ou julgar um costume, uma crença ou um comportamento a uma pessoa, pode ser, além de um equívoco, uma foice na vida de uma pessoa, desvalorizando-a. O que é bom para mim, nem sempre será bom para os outros.

João Paulo Pintanelli

Teologia - FATADC

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