• Lucas de Oliveira Freitas & Erasmo de Moraes

Erasmo, a bola da vez


Ele que é o conselheiro fiscal, um menino gostoso, sadio e divertido. Ele veio da zona leste de São Paulo, especialmente pra Curitiba estudar Engenharia Eletrônica.

Hoje eu converso com ele que não é um amigo nem um irmão de fé camarada, mas ele é amigo do rei. Erasmo!

Olá pessoal. É um prazer inenarrável estar aqui com a Maria Negriela.

Erasmo, como foi sua chegada aqui em Curitiba?

Bom, a chegada aqui em Curitiba foi bastante complicada. Numa quarta-feira você recebe um resultado, para na sexta-feira você chegar aqui. Então você não tem a mínima ideia do lugar, você não conhece pessoas. Minha vida virou de um dia pro outro, em questão de três dias.

Foi difícil encontrar o prédio?

Haha. Bom, na primeira vez que eu vim aqui eu não achei a CELU. Eu fui parar na CENIBRAC! Me informaram errado. Falaram assim: tem um negócio ali e tal, acho que é pra lá. Aí cheguei na CENIBRAC e falei: não, isso aqui não é a CELU. Eu fui barrado logo por um japonês na porta…

E você foi barrado por que você não é Nipônico?

Provavelmente sim, né. Provavelmente eles olharam pra mim e pensaram: Cara esse cara não é Japonês, então sai daqui, sai fora!

Mas só porquê seu olhinho não é puxado? Ou ele percebeu alguma coisa que não te caracterizava como um japonês? Conta aí pra gente.

Aí já não sei né. Talvez ele pode ter olhado um pouquinho o volume e já ter desconfiado...

Que delícia! Aí você chegando aqui na CELU, já tinha sido indicado? Como é que faz uma pessoa que assim como Jesus, que teve a vida revolucionada em três dias, para descobrir e arrumar essa vida?

Não, na verdade eu procurei na Internet, né? E o NUAP também me mandou uma carta falando de todas as casas, aí eu fui pra CEU, que não é um lugar legal. Você fica no pombal que é o último andar da casa…

Olha só que polêmica, tá falando mal da outra Casa...

É, se eu pudesse eu faria uma guerra contra a outra Casa, esse é meu sonho. Mas enfim, eu fui parar na CEU como hóspede. Fiquei lá três dias antes de fazer o concurso aqui. E foi pelos Moradores de lá que eu achei aqui. Então, foram três dias terríveis. Não vão pra lá, principalmente se vocês forem hóspedes, falo logo. E foi isso, quando cheguei aqui, fiz o concurso e graças a Deus passei.

E o que você achou mais diferente no concurso, foi um concurso de beleza, de volume, como é que foi?

Ah, o concurso foi bastante confuso. Principalmente a banca cultural. Eu pensei que tinha reprovado. Teve um avaliador, que eu dei uma resposta má pra ele duas vezes. E o Jorge, eu também respondi mal ele uma vez. Ele ficou me enchendo o saco, eu falei: Cara se liga.

Você já chegou alfinetando as pessoas da casa?

Bom, merecem, né?!

E você acabou de falar que declararia guerra a CEU. Você se diz cristão e quer declarar guerra? Mas que coisa é essa? Você tem um ‘Q de militar’, conta pra gente por que você tem essa fixação por batalhas?

Bom, primeiramente eu sou um cristão, mas eu não sou um santo. Então a minha parte má, ela quer fazer guerra, contra algumas pessoas, contra alguns lugares. Bom, eu fui militar durante dois anos. Eu entrei no quadro de auxiliar voluntário da polícia militar de São Paulo. Trabalhei numa região bastante complicada, Guarulhos. E, lá eu fiz o papel de atendente do 190. Então, esse Q militar veio de lá.

E o que de mais diferente que você já ouviu no 190?

A gente ouvia problemas, mas alguns merecem uma atenção maior. E um deles foi o caso de um cara que foi limpar uma trituradora e caiu dentro dela ligada. Aí o outro ligou lá e falou: eu acho que o cara morreu aqui. Daí a gente perguntou: Mas por que você acha que ele morreu? E ele respondeu: Então, é porque eu ‘tô’ vendo uns pedaços aqui e tal, e a trituradora tá ligada! E a outra foi uma morte bem esquisita na Dutra. Na descrição da morte ‘tava’ lá que era um casal dentro do carro, num acidente. E quando a gente foi olhar o histórico da ocorrência... O cara tinha morrido e tal. Falava das fraturas que ele sofreu, mas a mulher tinha morrido por engasgamento. E o mais engraçado era que tinha engasgado com o pênis do cara!

Provavelmente ela morreu feliz...

Bom, aí eu não sei. Pelo menos pra mim não. Haha.

Durante sua vida militar, me falaram que você aprendeu português lá. Me conta um pouco dessa história.

Não, minhas aulas de gramática, na verdade. O professor faltava aí virava uma aula de gramática mesmo. A gente tinha que arrancar a grama com a mão! Aí a grama tinha carrapicho, os carrapicho entrava na mão, o pessoal xingava. Os comandantes eram bem legais com a gente, eles começavam a rir da tropa. Então foi isso. Inclusive eu queria mandar um abraço pra um comandante meu, que mandou a gente cantar o hino militar e tacou bomba na gente, bomba de gás lacrimogênio…

Era qual hino? Bateu de frente é tiro, porrada e bomba?

Haha, não. Eles pediam pra gente cantar o hino da polícia militar de São Paulo e depois o hino nacional. A gente marchando e a bomba rolando no meio da tropa.

E me diz um pouco da zona leste de São Paulo. Você é são paulino, corintiano, como que é esse negócio?

Bom, como toda Zona Leste, é claro que eu sou Corintiano.

Peraí, devolve minha carteira!

Então, na zona leste você não vive, você sobrevive. Ali é uma selva. A gente exporta funkeiro para todo lugar do mundo. Então você vê aí grandes mentes pensantes da música brasileira que vêm de lá da Zona Leste. E a minha cidade, inclusive, é conhecida por algumas coisas, tipo: roubaram alguns quadros do Masp e ‘tava’ lá na minha cidade. Eles criaram um sistema para dar o chapéu no SAMU, que eles colocavam um dedo de plástico na digital, então, também veio da minha cidade. Carteira de motorista também, que deram até para cego.

Quem nasce em Ferraz é o que? Ferrado?

Também. Por tabela você já nasce ferrado. Mas até então lá a gente é ferrazense. A gente tem um hospital que é referência no Brasil que falta tudo. Você chega lá morrendo e tem ainda que passar por uma triagem. Tem que provar que está morrendo mesmo. Porque se você não provar eles não vão te atender. Vão te mandar para outra cidade, então normalmente as pessoas nascem em outro lugar.

Me diz um pouco da sua religião, quadrangular.

A visão quadrangular é uma visão é…

...Quadrada?

Também! Porque é feita em cima de quatro pilares: Jesus salva, Jesus cura, e Jesus voltará. A nossa igreja é uma teologia chamada neopentecostal. No caso, a gente acredita em alguns dons como cura, revelações, entre outros. Então, nossa igreja foi fundada em 1956 e é um movimento que vem dos Estados Unidos e hoje ela está em mais ou menos 46 países.

O que é Deus pra você, Erasmo?

Deus pra mim é o Pai, e o criador e é o redentor.

O que que faz um conselheiro fiscal? Ele é conselheiro mesmo ou só tá ali para alfinetar as pessoas?

O conselheiro fiscal pega as notas do dinheiro repassado e vê se têm alguma incoerência. E eu fui alfinetado, justamente por ver que haviam algumas incoerências. Eu não conseguia fazer nada e a única coisa que eu podia fazer era reprovar. Então, eu reprovei duas vezes, e se precisar vou reprovar outras até a Assembleia, se for o caso, salvar.

Mas como se diz: se conselho fosse bom a gente venderia. Vale a pena pegar cargo?

Vale! Primeiro, porque eu parto do pressuposto de que a gente tá aqui pra um ajudar ao outro. Então, se a gente tem oportunidade de fazer isso, não tem como não fazer. Aqui têm grandes potenciais que estão trancados dentro de quartos. Pessoas que poderiam estar fazendo alguma coisa.

Você escolheu engenharia eletrônica, mas por que esse curso? O que faz um engenheiro eletrônico?

Então, a diferença entre a elétrica e a eletrônica. Elétrica você imagina tudo o que é transmissão, fios, estações, essas coisas. E o eletrônico é tudo o que vai na tomada, o celular que você usa, o computador, entre outros. A engenharia Eletrônica vai se dividir em alguns ramos, tipo engenharia biomédica que você cuida de aparelhos hospitalares, tem a engenharia de sistemas embarcados, que são chips, hoje praticamente tudo é controlado por chips, e tem uma outra que é mais voltada para parte robótica e sistemas. Mas essa ainda não é a principal. E ainda tem uma outra que é a de telecomunicações, que vai mexer com ondas de rádio, etc.

Quer dizer que você não manja de fio terra?

Não, não manjo de fio terra. Isso daí é de quem faz elétrica.

Falando de fio terra, fiquei sabendo de um pacote que você recebeu. Tem alguém te admirando, Erasmo?

Essa história é um pouco complicada. Na verdade é uma história que terminou seis anos atrás. É uma ex-namorada minha que vira e mexe ela volta a me perturbar. Parece que ex-namorada é pra sempre assim. Então ela veio me perturbar de novo...

E a gente volta a falar de volume?

Ela veio, mandou mensagem pela fanpage da Casa, quando eu fiquei sabendo eu fiquei bastante surpreso, eu falei: caramba! ‘Po’ que eu fiquei meio bravo com ela e cortei ela do meu Facebook. Ela já não tem mais meu número. Então foi louco. Acho que ela deve ter entrado no meu Facebook, visto as fotos aqui da CELU... Tá vendo?! Vocês ficam me expondo através de fotos e de postagens... Aí ela viu e mandou isso. E, eu fui lá busquei, rasguei, então tá tudo certo.

Será que não era um convite de casamento?

Bom pode ser né, mas não o meu com ela.

Você recebe uma festa aqui em Curitiba, a Erasmus? Como é ter tanto gringo ovacionando seu nome?

Essa festa na verdade começou em São Paulo, né? Eu não tinha muitos amigos lá, então eu arrumei amigos gringos porque pelo menos eles fingem que me escutam. Aí começou num baile funk, mas aí nós vimos que perdemos bastante espaço, porque ninguém tem celta duas portas ou então CG 150. E então começamos a criar essa festa Erasmus Mundo. Os primeiros na surdina, em bairros, favela, ali pelo Canguçi, e agora está no Mundo.

Foi um prazer, Erasmo, te receber aqui no Marília Negriela Entrevista. Essa conversa foi uma delícia, hoje eu conversei com ele, obrigado Erasmo.

Valeu galera. E ó, vamos fazer as coisas certinho tá? Vamos pegar cargos na casa e ajudar aí, e parar de ficar com a bunda sentada só na cadeira.

Fica a dica.

Erasmo de Morais - Entrevistado

Eletrônica - UFPR

Lucas de Oliveira Freitas - Marilia Negriela

Arquitetura e Urbanismo - UP

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