• Nicksson Baracy

O que é o amor?


Amor, uma das palavras mais usadas cotidianamente que falamos o tempo todo sem ao menos nos perguntar o que ela significa – pelo menos com a grande maioria das pessoas é assim. Se fizermos uma rápida pesquisa no Google, descobriremos que aproximadamente 42.100.000 resultados vem da pergunta: O que é o amor? Costumamos refletir no que o amor resulta, mas o que ele é não nos interessa tanto assim. Ora, mas afinal o que é o amor? É um sentimento? É querer ver o amigo, colega de trabalho, família, cãozinho feliz?

O amor para os músicos geralmente significa um sentimento amoroso, para uma mãe retrata o afeto que se tem com a sua criança e para um religioso remete certamente a Deus. Palavra forte, palavra que contêm uma diversidade de significados, o amor, sem dúvida, abraça cada uma das definições citadas acima, mas é interessante notar que esta ganhou um significado no mínimo curioso e distinto no cristianismo.

No grego antigo a palavra amor tem no mínimo quatro definições:

1 – Eros Eros, palavra raiz da tão conhecida palavra “erótico” significa o que vocês estão pensando. O amor de cunho sexual, que tem uma objetivação de posse, tomar para si. O que geralmente se ouve dizer: “o amor é cego” diz muito desse tipo de amor. Algumas expressões abaixo exemplificam o que o “Eros” é. - Eu amo você porque você me faz feliz - Você é minha/meu - Você é linda! - Você me pertence

2 – Philos/Phileo Philos, palavra que lembra muito “filosofia” tem seu motivo para isto, filosofia quer dizer amor à sabedoria, philos, portanto é amor, mas que tipo de amor? Philos pode ser definido como o amor que tem como função a troca mútua. O que a princípio faz uma amizade são os gostos em comum por determinado assunto, certa atividade, etc. O amor philos/phileo é o amor que faz com que jogadores de futebol sejam amigos devido ao mútuo interesse no esporte, parceiros na sinuca e pessoas de uma mesma religião tenham uma relação de amizade. Abaixo temos algumas frases que remetem a este tipo de amor: - Ela/ele me completa. - Gostamos das mesmas coisas. - Ele/ela pensa como eu. - Fazemos muitas coisas juntos.

3 – Storge Storge é o amor familiar, aquele amor que tem como único direcionador o vínculo familiar que há entre você e o tio João, independentemente se este está velho ou doente, existe um senso que faz você ajuda-lo porque ele é família. Ele pode não ter algo para lhe oferecer como acontece no amor philos, mas ainda assim será objeto de amor por terem um vínculo familiar.

4 – Ágape Por fim temos o tão esperado amor ágape. Amor que doa sem esperar nada em troca, o oposto do amor philos/phileo que objetiva algo em troca. A ilustração clássica desse tipo de amor encontra-se na história do bom samaritano (Lucas 10: 29–37), que é contada para ilustrar o amor (agape) ao próximo (v. 27). Quando o samaritano olhou para o homem ferido e sangrando, não houve atração física (eros). O homem que havia sido ferido não era um ente querido; os judeus e os samaritanos se odiavam (não tinham amor storge). O homem deixado à beira da estrada não era um amigo; ele não tinha nada para oferecer; não havia possibilidade de ação recíproca (philos). Qual seria a única motivação possível para o viajante ajudá-lo? Ele era um semelhante, um ser humano e o bom samaritano disse, em outras palavras: “Por isso eu vou ajudá-lo”

Isto é amor agape.

No cristianismo, o amor ágape é revelado de maneira distinta na figura de Jesus Cristo. Mais especificamente em Deus doar seu único filho à morte de cruz por amor a uma humanidade que nada lhe podia dar em troca. O amor de Deus em amar pecadores (João 3: 16) para que estes pudessem viver. Podemos amar nosso próximo com amor ágape como no caso do bom samaritano, somente na medida em que temos a revelação e entendimento de que somos amados por Deus em Cristo Jesus. Que possamos viver o amor em sua plenitude!

Nicksson Baracy Filosofia - UFPR

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