Lado A e lado B


Algumas das questões abordadas no livro seriam a manipulação através da mídia, o senso comum e as ferramentas utilizadas a fim de manter o poder em regimes autoritários. No momento áureo do livro um dos personagens faz uma breve explanação de como funcionam as disputas pelo poder na maioria das civilizações e relata que em muitos momentos da história, as mudanças partiram por causa da bipolaridade entre grupos, um no poder e outro almejando obte-lo . Sendo que o segundo grupo utilizava a “grande massa“ para chegar ao poder, com ideais que representam seus anseios, mas que logo após alcançarem o poder através do povo, não o entregavam aos mesmos, apenas cediam algumas benevolências, e continuavam reproduzindo o padrão de opressão do grupo anterior.

O cenário atual da política não fica muito obstante disso, e reforça o porquê da necessidade de bipolarizar as pessoas, pois o mesmo faz parte do jogo entre os poderes de quem apesar de se dizer oponente, come dos mesmos manjares e partilha das mesmas amizades e influências. Em um mundo em que o cidadão comum é empurrado e adestrado a ser a favor ou contra uma linha política, ou é de esquerda da ou de direita, ou do partido do Zé ou do José, e não pode entender que o problema é estrutural e que não é interessante para ninguém mudar as regras do jogo, já que que todos ganham. Mesmo que não se ganhe a eleição, sempre haverá uma secretária ou um cargo de confiança em algum lugar, fora os favores políticos e financeiros escondidos no fundo da cartola.

E quando falamos de juventudes políticas, de onde poderia brotar o fator de mudança, percebe se que na maioria dos casos existe uma resistência em fazer críticas dentro da própria instituição a que pertencem, e um certo adestramento focado em apenas defender tudo o que o partido diz e faz, nas mais diferentes siglas, no único sentido de permanência no poder e não num bem mais para a população ou projeto de país.

É a briga do sim e não, quando nenhuma das duas respostas é capaz de solucionar o real problema. Como se observando um mundo que caminha na dialética com lentes cartesianas pudesse nos direcionar para as intervenções mais eficazes numa sociedade tão heterogênea e complexa como a nossa.

Por fim termino com um trecho do cantor de rap Criolo:

Uma bola pra chutar, país pra afundar, geração que não só quer maconha pra fumar

Milianos, mal cheiro e desengano, Cada cassetete é um chicote para um tronco

Alqueires, latifúndios brasileiros

Numa chuva de fumaça só vinagre mata a sede

Novas embalagens pra antigos interesses

É anzol da direita fez a esquerda virar peixe.

Sem dúvida alguma, entre as indicações de livros a serem lidos antes de morrer ( não que houvessem indicações pós morte), eu indicaria o livro 1984, clássico do autor britânico George Orwell, que retrata o cotidiano de um regime político totalitário e repressivo. O livro impressiona não só pelo contexto retratado, mas também pelas congruências com o mundo atual em relação ao poder político, apesar de ter sido escrito em 1948.

Ualisson Ribeiro

Medicina - PUCPR

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