“Homem não chora”. Uma breve análise sobre o machismo patriarcal intrínseco na sociedade


“Homem não chora”. Dou início a este breve texto presumindo que todos já ouviram tal frase (mesmo que tenha sido pela voz do cantor Pablo). Talvez isto soe ordinário a nossos ouvidos, porém este fato apenas evidência a existência de um machismo patriarcal intrínseco nas sociedades em geral.

O patriarcalismo tem como ideal a supremacia dos homens nas relações sociais de poder. O termo é oriundo da palavra grega pater, que no período homérico era o chefe de grupos familiares conhecidos como genos. Portanto, o patriarca, sempre visto como o chefe da família, tinha que agir como tal e ser um “exemplo” de homem, forte e sem demonstrar fraquezas.

Estes conceitos de 2000 anos atrás perduraram até os dias atuais. Desde o nascimento já somos alvos de discursos machistas que prolongam-se durante toda a nossa formação. Incrustam em nosso subconsciente pensamentos, tais como que o homem não deve demonstrar sentimentos, sempre ser forte e proteger a família, assim como os paters gregos. Já na fase adulta, o indivíduo está impregnado com estes conceitos, mesmo que inconscientemente, e os passarão para as próximas gerações, continuando este ciclo milenar.

Essas concepções são muito prejudiciais a toda sociedade. Arrisco a dizer que é prejudicial principalmente aos homens, que desde crianças são impedidos de expor o que sentem, sempre estando pressionados a agir como a sociedade impõe, o discurso da sociedade de como ser um “homem de verdade”.

Pesquisas desde o século XIX indicam que a maioria esmagadora de suicídios é praticada por homens. “(...) As estatísticas de 1864 a 1907, indicavam para o Rio de Janeiro, 78% de homens e 22% de mulheres, como autores de suicídios consumativos (...)” (Cf. AFRÂNIO PEIXOTO, ob cit., n. 253.). “A taxa de suicídio nos Estados Unidos em 2004 foi de 11,1 a cada cem mil habitantes. A taxa de suicídio para homens foi de 17,7 a cada cem mil; para mulheres, de 4,6 a cada cem mil (American Association of Suicidology, 2006).” “O suicídio é a décima primeira causa de morte, e a oitava para os homens nos EUA (National Center For Injury Prevention and Control,2006)”. “(...) em São Paulo. 71% dos suicídios consumados foram praticados por homens, contra 29% praticados por mulheres(...) (FRAGOSO, heleno cláudio, Provocação ou auxílio ao suicídio, revista direito penal, nº11/12, p. 35 a 47)”

Fica evidente, então, que devido a pressão social sofrida pelos homens, eles acabam entrando em estado de depressão e por estes mesmos dizeres de “homem não chora” e ideias de que o homem nunca pode demonstrar o que sente, eles acabam se suicidando por falta de ajuda especializada e apoio familiar.

Portanto, caros amigos celuenses, devemos aprender mais com o morador Gabriel Vieira (quarto 126). Devemos expressar mais nossos sentimentos e deixar discursos que nos são passados durante a vida toda para que possamos mudar essa realidade machista que oprime a nós mesmos. “O choro é livre”.

Yago Eduardo Frezza Soliz

Medicina - UFPR

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